Documento sobre Catequese aborda cultura digital e a globalização da cultura


30/06/2020 - 18:18
Elaborado pelo Pontifício Conselho para a Promoção da Nova Evangelização, o diretório destaca a íntima união entre o primeiro anúncio e o amadurecimento da fé, à luz da cultura do encontro

O novo Diretório Geral para a Catequese, herdeiro do “Diretório Geral para a Catequese” de 1971 e do “Diretório Geral para a Catequese” de 1997, publicado nesta semana no Vaticano, durante apresentação Dom Rino Fisichella, Presidente do Pontifício Conselho para a Promoção da Nova Evangelização,  traz um caminho de amadurecimento para aqueles que receberam o anúncio da Boa Nova.

O documento, elaborado pelo Pontifício Conselho para a Promoção da Nova Evangelização, foi aprovado pelo Santo Padre no dia em que a Liturgia celebrava a memória litúrgica de São Turíbio de Mogrovejo, que, no século XVI, deu um forte impulso à evangelização e à catequese.

A peculiaridade do novo Diretório é a estreita ligação entre a Evangelização e a Catequese, que destaca a íntima união entre o primeiro anúncio e o amadurecimento da fé, à luz da cultura do encontro. Tal peculiaridade – lê-se no texto – torna-se bem mais necessária diante de dois desafios para a Igreja, na época contemporânea: “a cultura digital e a globalização da cultura”.

Em mais de 300 páginas, divididas em 3 partes e 12 capítulos, o texto do novo Diretório recorda que “todo batizado é um discípulo missionário” e que “são urgentes esforços e responsabilidades, necessários para encontrar novos instrumentos de linguagem para comunicar a fé”.

Os princípios basilares, com os quais podemos agir, são três: “testemunho, misericórdia e diálogo”. Testemunho, porque “a Igreja não cresce por proselitismo, mas por atração”; misericórdia, “por meio da qual a verdadeira catequese torna crível a proclamação da fé”; diálogo, “livre e gratuito, que não obriga, mas, partindo do amor, contribui para a construção da paz”. Assim, – explica o Diretório – “a catequese ajuda os cristãos a dar pleno sentido à sua existência”.

O novo Diretório é dividido em três partes: a primeira, dedicada à “Catequese na missão evangelizadora da Igreja”, fala da formação dos catequistas; a segunda, intitulada “O processo da Catequese”, frisa a importância da família: parte integrante e ativa da evangelização; e a terceira, dedicada à “catequese nas Igrejas particulares”, ressalta o papel das paróquias, definido como “exemplo de apostolado comunitário”: catequese criativa e ensino da religião”.

Aspectos essenciais da Catequese

Outras partes especiais da Catequese, segundo o novo Diretório, são: “ecumenismo, diálogo inter-religioso com o Judaísmo e o Islamismo”. A catequese deve “despertar o desejo de unidade” entre os cristãos, se quiser ser “um instrumento crível de evangelização”. Quanto ao Judaísmo, convida-se a manter um diálogo para combater o antissemitismo e promover a paz e a justiça.

Diante do fundamentalismo violento, que, às vezes se defronta com o Islamismo, a Igreja exorta a favorecer o conhecimento e encontro com os muçulmanos. Em um contexto de pluralismo religioso, a Catequese deve “aprofundar e fortalecer a identidade dos fiéis”, promovendo o impulso missionário, mediante o testemunho e um diálogo “afável e cordial”.

Cultura digital

O novo Diretório Geral para a Catequese reflete ainda sobre a “cultura digital”, hoje “natural”, que mudou a linguagem e as hierarquias dos valores em escala global. Tal cultura é rica de aspectos positivos, apesar do seu “lado sombrio”, que pode causar solidão, manipulação, violência, cyber-bullying, preconceito, ódio. Aqui, os jovens devem ser acompanhados a buscar sua liberdade interior, para se diferenciar do “rebanho social”.

Além da cultural digital, o Documento aborda também a ciência e a tecnologia, que devem ser orientadas para melhorar as condições de vida da família humana; trata ainda da bioética, partindo do pressuposto de que “nem tudo o que é tecnicamente possível é moralmente admissível”, partindo do princípio da sacralidade e inviolabilidade da vida humana, em contraste com a cultura da morte; aconselha a discernir entre intervenções, manipulações terapêuticas e eugenia; sugere a tratar, numa perspectiva de fé, “a sexualidade, como resposta à chamada original de Deus”.

Enfim, o novo Documento do Vaticano faz referência a uma “profunda conversão ecológica”, promovida por uma catequese em defesa da Criação, do bem comum, dos direitos dos mais fracos.



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