Papa aos bispos: Somos chamados a ser artesãos de diálogo


14/09/2019 - 20:20
Em audiência no Vaticano com os bispos orientais católicos, Francisco falou sobre as desigualdades e divisões que ameaçam a paz

O Papa Francisco iniciou suas atividades, na manhã deste sábado, 14, recebendo, no Vaticano, 40 bispos orientais católicos da Europa que estão reunidos em Roma para a conclusão do seu Encontro Anual sobre o tema: “missão ecumênica em nossos dias”.

O Pontífice discursou aos bispos: “Este encontro, organizado sob o patrocínio das Conferências Episcopais da Europa, demonstra a riqueza ritual da Igreja Católica no continente europeu, que não é limitada à tradição latina. Entre vocês, encontram-se representantes de diferentes Igrejas da tradição bizantina, da amada Ucrânia, mas também do Oriente Médio, Índia e outras regiões, que atuam nos países europeus”.

Recordando a sua Viagem Apostólica à Romênia, Francisco disse que foi uma oportunidade de mostrar a gratidão de toda a Igreja Católica e do Sucessor de Pedro pelo testemunho e fidelidade à Igreja de Roma. E acrescentou: “Que todos sejam um: é o desejo ardente de Jesus, que, durante a sua Paixão, carregou em seu coração e, depois, foi entregue a todos na Cruz”.

O Concílio Ecumênico Vaticano II e o Código dos Cânones das Igrejas Orientais, frisou o Santo Padre, também recordam que todos os cristãos são depositários de uma missão específica no caminho ecumênico. E, sobre o significado da missão ecumênica, tema que os bispos debateram nestes dias em Roma, o Papa disse: “Hoje, enquanto muitas desigualdades e divisões ameaçam a paz, somos chamados a ser artesãos de diálogo, promotores de reconciliação, construtores pacientes de uma civilização de encontro”.

Enquanto muitos são envolvidos por uma espiral da violência e por contínuas acusações mútuas, explicou Francisco, o Senhor quer que homens e mulheres sejam dóceis semeadores do Evangelho do amor; se comprometendo para sarar as feridas do passado, superar os preconceitos e as divisões, e dar esperança a todos, caminhando, lado a lado, como irmãos e irmãs não católicos. E o Papa afirmou:

“Caminhando e trabalhando juntos pelos outros e pela nossa Casa Comum, podemos redescobrir, no coração da nossa catolicidade, o antigo significado atribuído à Sede de Roma, chamada a presidir na caridade toda a Igreja”. Vivendo ao máximo as suas tradições eclesiais, ponderou o Santo Padre, todos poderão atingir às mesmas fontes de espiritualidade, liturgia e teologia das Igrejas ortodoxas. “É belo sermos, juntos, testemunhas de riquezas tão grandes!”.

O Pontífice exortou os bispos a caminharem sem divisões, se inclinando ao irmão que sofre, aos que sofrem a solidão e a pobreza, aos marginalizados, aos não nascidos, aos jovens privados de esperança, às famílias desintegradas, aos idosos e enfermos descartados. O Papa concluiu seu pronunciamento aos bispos orientais católicos da Europa encorajando-os a prosseguir sempre em frente no espírito de comunhão.



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