100 anos da Legião de Maria no mundo


05/09/2021 - 15:30

A Legião de Maria comemora 100 anos de fundação, no dia 7 de setembro. O movimento mariano que nasceu em 1921, na Irlanda, chegou ao Brasil em 1951 e, desde então, espalhou-se pelo país. Ao celebrar este centenário, legionários brasileiros se dizem privilegiados e querem deixar um “bom legado” para o futuro.

“É um privilégio celebrar o centenário de um movimento que está espalhado pelo mundo todo. Eu recebi um legado desses cem anos e tenho que deixar um legado para as gerações futuras, para que deem continuidade ao trabalho da Legião”, disse Alcirema Nazaré Almeida Caires, presidente Senatus Maria Imaculada, de Belém (PA).

“Para mim, viver o centenário é uma graça muito grande. Espero que daqui a cem anos os próximos legionários tenham tido um bom exemplo de nós, de perseverança, disciplina e muita devoção e respeito a Maria Santíssima”, afirmou Delma Pacheco Pinto, presidente Senatus Immaculata, de Belo Horizonte (MG).

O Senatus é um organismo que dirige a Legião de Maria em determinada área, podendo ser um país ou, no caso do Brasil que é amplo territorialmente, engloba alguns estados. Acima dele, está o Conselho Central, na Irlanda. Na estrutura do movimento há ainda outros organismos menores sendo que os grupos paroquiais, considerados “a unidade de Legião de Maria”, são o chamado praesidium.

A Legião de Maria foi fundada em Dublin, por Frank Duff. Ao participar da Sociedade de São Vicente de Paulo, Duff se sensibilizou com as necessidades dos pobres e desfavorecidos e percebeu que essas pessoas precisavam de mais do que bens materiais, tinham necessidade de ajuda espiritual. Assim surgiu a Legião de Maria, uma associação católica que tem como objetivo “a glória de Deus pela santidade de seus membros, desenvolvida pela oração e pela cooperação ativa na obra de Maria e da Igreja”, diz em seu site.  Trata-se, portanto, de uma associação de leigos que, sob a proteção e intercessão de Nossa Senhora e com aprovação da Igreja, destina-se à evangelização e à santificação dos homens por meio da oração e do trabalho apostólico ativo.

Segundo padre Fábio Siqueira, diretor espiritual do Senatus Assumpta, do Rio de Janeiro (RJ), Frank Duff foi “pioneiro no protagonismo leigo” e por isso participou como observador leigo do Concílio Vaticano II. “A Legião de Maria surgiu com o objetivo de atender as necessidades pastorais da Igreja, porque naquela época não tinha tanto essas questões de pastorais, do protagonismo dos leigos”, disse. O sacerdote afirmou que os legionários são “leigos engajados que, a partir da vida de oração, atuam na vida da Igreja, colocando-se a serviço do bispo ou do pároco para os trabalhos necessários”.

Alcirema Nazaré contou que, “quando criou a Legião de Maria, Frank Duff queria que fosse baseada no exército romano, que dizia ser o mais obediente aos seus superiores”. Por isso, disse, “a nossa superiora é Maria, a generalíssima”. Trata-se, segundo Delma Pacheco, de “um trabalho de evangelização em nome de Deus, através de Maria”. “Ela é o nosso sustentáculo, é quem guia nossos passos e não nos abandona nunca. Por isso, o primeiro quesito para ser legionário é ter uma devoção profunda por Nossa Senhora”, afirmou Delma, que se disse “privilegiada de fazer parte desse exército”.

Em um discurso aos peregrinos da Legião de Maria no Vaticano, em 1982, o papa São João Paulo II disse que os legionários têm “uma espiritualidade eminentemente mariana, não só porque a legião se orgulha de levar como bandeira desfraldada o nome de Maria, mas sobretudo porque baseia o seu método de espiritualidade e de apostolado sobre o dinâmico princípio de união com Maria, sobre a verdade da participação íntima da Virgem Mãe no plano de salvação”.

Passados cem anos desde a sua fundação, a Legião de Maria “não perdeu sua função da Igreja”, embora atue hoje “em um contexto diferente”, disse padre Fábio Siqueira. “A Legião continua com uma vida de oração onde a devoção mariana é central e os legionários estão à disposição da Igreja para os trabalhos de evangelização necessários”.

Segundo Alcirema Nazaré, “a missão da Legião de Maria é realizada com base em um tripé: oração, reunião e trabalho apostólico”. Delma Pacheco contou que este tripé se constitui em uma “disciplina legionária, com as orações diárias que temos que fazer, a reunião semanal e duas horas de trabalho por semana, que são as visitas a hospitais, asilos, orfanatos, famílias, pessoas doentes, enlutadas”.

Para Delma, essa disciplina permite que ela tenha um “aprendizado constante”. “Quando vamos nos deparando com essas situações, aprendemos a olhar para o outro do jeito que Jesus Cristo nos olha, com amor, misericórdia. Passamos a ver no outro o rosto de Cristo”, afirmou. Para Alcirema Nazaré este tripé legionário é o que a “completa na vida cristã”. “É como presto meu serviço à Igreja. E é através da Legião de Maria que tenho a minha disciplina de oração, as visitas ao Santíssimo Sacramento, a participação na missa e nos sacramentos”.

O padre Fábio Siqueira contou que, ao acompanhar a Legião de Maria como diretor espiritual do Senatus-RJ, experimenta um “crescimento na devoção mariana e reforça o olhar para Maria como modelo de discípula, aberta à Palavra de Deus”. Além disso, afirmou que há um enriquecimento do “aspecto missionário, principalmente ao ver a dedicação e entrega de tantos leigos à Legião de Maria, às vezes abrindo mão de muitas coisas em suas vidas para realizar o trabalho legionário”.

No Brasil, cada organismo que constitui Legião de Maria irá realizar uma programação específica. 



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