Encontrar a cura também para os vírus socioeconômicos, pede Papa


01/10/2020 - 12:33
Para sair da pandemia, é preciso encontrar a cura para o coronavírus, mas também para os grandes vírus humanos e socioeconômicos, diz o Papa na catequese

O Papa Francisco dá continuidade ao ciclo de catequeses sobre a pandemia de coronavírus. Nesta quarta-feira, 30, dedicou-se ao tema “Curar o mundo. Preparar o futuro junto com Jesus que salva e cura”.

O Santo Padre recordou as reflexões das catequeses das últimas semanas, que apontaram os caminhos da dignidade, da solidariedade e da subsidiariedade, indispensáveis para promover a dignidade humana e o bem comum. O Papa quer que este caminho ancorado nos princípios da Doutrina Social da Igreja continue após o término do ciclo de catequeses sobre a pandemia, que as pessoas mantenham o olhar em Jesus, que salva e cura o mundo.

Citando o Evangelho, Francisco lembrou que Jesus curou doentes de todos os tipos e, quando curava as enfermidades físicas, curava também o espírito, perdoando os pecados. E Jesus dá ao homem os dons necessários para amar e curar como Ele sabia fazer, a fim de cuidar de todos sem distinção de raça, língua ou nação.

Mas para que isso aconteça, o Papa disse que é preciso contemplar e apreciar a beleza de cada ser humano e cada criatura, que foram concebidos no coração de Deus. Isso ajuda a reconhecer Cristo presente nos pobres e sofredores e a encontrá-los e ouvir seu grito.

“Mobilizados interiormente por estes gritos que exigem de nós outro rumo, exigem mudanças, poderemos contribuir para a cura das relações com os nossos dons e capacidades. Poderemos regenerar a sociedade e não voltar à chamada “normalidade”, que é uma normalidade doente, que estava doente antes da pandemia. A pandemia a acentuou. Agora voltamos à normalidade. Não, isso não é bom. Esta normalidade era doente de injustiça, desigualdade e degradação ambiental”.

A normalidade a que todos são chamados é a do Reino de Deus, destacou Francisco, onde o pão chega a todos e a organização social se baseia em contribuir, partilhar e distribuir, não em possuir, excluir e acumular.

O vírus que realçou as desigualdades

O Papa lembrou ainda que um pequeno vírus continua a causar feridas profundas e mostrou a grande desigualdade que reina no mundo: desigualdade de oportunidades, de bens, de acesso aos cuidados médicos, de tecnologia, educação, milhões de crianças não podem ir à escola, e assim por diante. “Estas injustiças não são naturais nem inevitáveis. São obra do homem, provêm de um modelo de crescimento desligado dos valores mais profundos”.

“É por isso que, para sairmos da pandemia, temos que encontrar a cura não só para o coronavírus, mas também para os grandes vírus humanos e socioeconômicos. E certamente não podemos esperar que o modelo econômico subjacente ao desenvolvimento injusto e insustentável resolva os nossos problemas. Não o fez e não o fará, porque não pode fazê-lo, embora certos falsos profetas continuam prometendo o “efeito dominó” que nunca chega.”, acrescentou.

Boas políticas

Francisco mencionou, por fim, a necessidade de trabalhar para gerar boas políticas, para conceber sistemas de organização social que recompensem a participação, o cuidado e a generosidade, e não a indiferença, a exploração e os interesses particulares.

“Uma sociedade solidária e equitativa é uma sociedade mais saudável. Uma sociedade participativa, onde os “últimos” são considerados como os “primeiros”, fortalece a comunhão. Uma sociedade onde a diversidade é respeitada é muito mais resistente a qualquer tipo de vírus”.

Concluindo a catequese, o Papa confiou este caminho de cura à proteção da Virgem Maria. “Ela, que carregou Jesus no seu ventre, nos ajude a ser confiantes. Animados pelo Espírito Santo, podemos trabalhar juntos para o Reino de Deus que Cristo inaugurou neste mundo, vindo entre nós. Um reino de luz no meio das trevas, de justiça no meio de tantos ultrajes, de alegria no meio de tanta dor, de cura e salvação no meio da doença e da morte. Deus nos conceda “viralizar” o amor e globalizar a esperança à luz da fé”.

 



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