Qual o lugar da caridade em tempos de coronavírus?


26/03/2020 - 09:28
Cardeal Tagle é Prefeito da Congregação para a Evangelização dos Povos e presidente da Cáritas International

Caros irmãos e irmãs, estamos diante de uma emergência devido ao Coronavírus. Emergência, palavra de origem latina “emergere”, que se refere a um evento imprevisto que se apresenta diante de nós e requer atenção. Para nós, as emergências não são uma novidade. Todos os anos sofremos com terremotos, furacões, inundações, secas e doenças. A atual emergência do Covid19 chama-se pandemia, a partir de duas palavras gregas: “pan”, que significa “todos” e “demo”, que significa “povo ou população”. A pandemia atinge todas ou quase todas as pessoas. Podemos dizer que o Covid19 é uma emergência geral ou universal. Atinge quase todos nós. E requer uma resposta por parte de todos nós.

Durante as emergências, pensamos instintivamente antes de tudo a nós mesmos, às nossas famílias e às pessoas que estão perto de nós. Faremos tudo o que pudermos para protegê-los. Mesmo sendo uma reação fundamentalmente boa, devemos estar atentos para não pensarmos só em nós mesmos. Devemos evitar que o medo nos torne cegos às necessidades dos outros, necessidades que são as mesmas que temos. Devemos evitar que a ânsia acabe com a autêntica preocupação pelo próximo. Em uma emergência, emerge o verdadeiro coração de uma pessoa. De uma emergência que atinge todas as pessoas (pandemia) esperamos ver uma emergência pandêmica de cura, compaixão e amor. Uma crise de emergência que surge inesperadamente só pode ser enfrentada com uma idêntica “erupção” de esperança. A difusão pandêmica de um vírus deve produzir um “contágio” pandêmico de caridade. A história julgará a nossa geração em base à força do amor desinteressado que nesta emergência comum será gerado e será difundido, ou senão por não ter conseguido fazê-lo. Agradecemos as pessoas heroicas cujo amor e coragem já foram fontes de curas e de esperanças nestas últimas semanas.

Os especialistas dizem que devemos lavar as mãos para evitar o contágio do vírus e evitar a sua difusão. No Processo de Jesus, Pôncio Pilatos “mandou trazer água, lavou as mãos diante da multidão, e disse: ‘Eu não sou responsável pelo sangue deste homem. A responsabilidade é vossa!’ (Mateus 27, 24). Devemos lavar as mãos, mas não como Pilatos. Não podemos lavar as mãos da nossa responsabilidade para com os pobres, os idosos, os desempregados, os refugiados, os sem-teto, os profissionais da saúde, todas as pessoas, da Criação e das gerações futuras. Rezemos, através da força do Espírito Santo, para que possa surgir um amor genuíno em todos os corações humanos para enfrentar esta emergência comum”.



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